quarta-feira, 3 de julho de 2013

Cristologia - Parte 2 - Unipersonalidade e Estado de Humilhação

B. Prova Bíblica da Unipersonalidade de Cristo.
Sl 2.7; 40.7, 8; Jo 17.1, 4, 5, 21-24. Além disso, Jesus nunca fez uso do plural ao referir-se a Si próprio, como Deus faz em Gn 1.26; 3.22; 11.7. Podia ser que Jo 3.11 fosse um caso desses.
2. AMBAS AS NATUREZAS SÃO REPRESENTADAS NA ESCRITURA COMO UNIDAS

NUMA SÓ PESSOA. Há passagens da escritura que se referem às duas naturezas de Cristo, mas nas quais é mais que evidente que só se tem em mente uma pessoa, Rm 1.3,4; Gl 4.4, 5; Fp 2.6- 11. Em diversas passagens ambas as naturezas são expostas como unidas. A Bíblia ensina que a pessoa divina do Filho de Deus, estava unida a uma natureza humana, Jo 1.14; Rm 8.3; Gl 4.4;9.5; 1 Tm 3.16; Hb 2.11-14; 1 Jo 4.2, 3.
OS ESTADOS DE CRISTO
I. O Estado de Humilhação
A. Introdução: A Doutrina dos Estados de Cristo em Geral.
1. DISTINÇÃO ENTRE ESTADO E CONDIÇÃO. Em geral se pode distinguir entre estado e condição como segue: Estado é uma posição ou categoria ou “status” na vida, e particularmente a relação forense da pessoa com a lei, enquanto que condição é o modo de existência da pessoa, especialmente como determinado pelas circunstancias da vida. Quem é achado culpado num tribunal de justiça acha-se num estado de culpa ou condenação, e a isto geralmente se segue uma condição de encarceramento com toda a resultante provação e vergonha. De fato, os diferentes estágios de humilhação e de exaltação, como normalmente são expostos, têm a tendência de fazer com que as condições sobressaiam mais proeminentemente que os estados.
3. NÚMERO DOS ESTADOS DO MEDIADOR. Mas, desde que só podemos falar da humilhação e exaltação dapessoa de Cristo em relação a Ele como o Deus homem, é melhor falar de dois estados somente.
Os dois estados estão claramente indicados em 2 Co 8.9; Gl 4.4,5; Fp 2.6-11; Hb 2.9.
B. O Estado de Humilhação.
Com base em Fp 2.7, 8, a teologia reformada (calvinista) distingue dois elementos na humilhação de Cristo, a saber, (1) a kenósis (esvaziamento, exinanitio), que consiste em renunciar Ele à Sua majestade do supremo Governador do universo, e assumir a natureza humana na forma de um servo; e (2) a tapeinosis (humiliatio), que consiste em haver-se Ele feito sujeito às exigências e à maldição da lei, e em toda a Sua vida ter-se feito obediente em ações e em sofrimento, até ao próprio limite de uma morte ignominiosa. Com base na referida passagem de Filipenses, pode-se dizer que o elemento essencial e central do estado de humilhação acha-se no fato de que Ele, que era o Senhor de toda a terra, o supremo Legislador, colocou-se debaixo da lei para desincumbir-se das Suas obrigações federais e penais a favor do Seu povo. Ao fazê-lo, Ele se tornou legalmente responsável por nossos pecados e sujeitos à maldição da lei. Este estado do Salvador, concisamente expresso nas palavras de Gl 4.4, “nascido sob a lei”, reflete-se na condição que lhe é correspondente e que é descrita nos vários estágios da humilhação. Enquanto a teologia luterana fala em nada menos que oito estágios da humilhação de Cristo, a teologia reformada geralmente enumera cinco, a saber: (1) encarnação; (2) sofrimento); (3) morte; (4) sepultamento; e (5) descida ao hades.
1. A ENCARNAÇÃO E O NASCIMENTO DE CRISTO. Sob este título geral, vários pontos
merecem atenção.
a. O sujeito da encarnação. A segunda pessoa da Trindade que assumiu a natureza humana. devemos lembrar que cada uma das pessoas divinas agiu na encarnação, Mt 1.20; Lc 1.35; Jo 1.14; At 2.30; Rm 8.3; Gl 4.4; Fp 2.7. Jo 1.1. “eu desci do céu”, Jo 6.38. “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos”, 2 Co 8.9. Fp 2.6, 7. “Vindo, pois, a plenitude do tempo, Deus
enviou seu Filho”, Gl 4.4.
b. A necessidade da encarnação. ensinam que a encarnação foi tornada necessária pela queda do homem. Lc 19.10; Jo 3.16; Gl 4.4; 1 Jo 3.8; Fp 2.5-11. Não há senão um só plano de Deus, e este plano inclui, desde o início último, o pecado do homem e a encarnação do Verbo. Em última análise, como é natural, a encarnação, como também toda a obra de redenção, dependia, não do pecado, mas do beneplácito de Deus.
Ef 1.10, 20-23; Cl 1.14-20.
c. A mudança efetuada na encarnação. Ele contraiu aquele caráter particular, que Ele adquiriu uma forma adicional, sem de modo algum mudar a Sua natureza original. Ele continuou sendo o infinito e imutável Filho de Deus. A palavra sarx (carne) aqui denota a natureza humana, que consiste de corpo e alma. A palavra é empregada num sentido um tanto similar em Rm 8.3; 1 Tm 3.16; 1 Jo 4.2; 2 Jo 7 (comp. Fp 2.7).
d. A encarnação fez de Cristo um membro da raça humana.
e. A encarnação efetuada por uma concepção sobrenatural.
f. A encarnação propriamente dita, uma parte da humilhação de Cristo Rm 8.3; 2 Co 8.9; Fp 2.6, 7.
2. OS SOFRIMENTOS DO SALVADOR. Vários pontos devem ser salientados com relação aos sofrimentos de Cristo.
a. Ele sofreu durante toda a Sua vida. Em vista do fato de que Jesus começou a falar dos Seus sofrimentos vindouros quando já se aproximava o fim da Sua vida, muitas vezes somos inclinados a julgar que as Suas agonias finais constituem os Seus sofrimentos completos. Contudo, toda a Sua vida foi uma vida de sofrimentos. Foi uma vida de servo, a do Senhor dos Exércitos, a vida do único ser humano sem pecado, na diária companhia de pecadores, e a vida do Santo num mundo amaldiçoado pelo pecado. O caminho da obediência foi para Ele, ao mesmo tempo, um caminho de sofrimento. Ele sofreu com as repetidas investidas de Satanás, com o ódio e a incredulidade do Seu povo, e com a perseguição dos Seus inimigos. Visto que Ele pisou sozinho o lagar, a Sua solidão só tinha que ser deprimente e o Seu senso de responsabilidade, esmagador. Seu sofrimento foi um sofrimento consagrado, e cada vez mais atroz, conforme o fim se aproximava. O sofrimento iniciado na encarnação, chegou finalmente ao clímax na passio magna (grande paixão) no fim da Sua vida. Foi quando pesou sobre Ele toda a ira de Deus contra o pecado.
b. Sofreu no corpo e na alma. Não foi uma simples dor física, como tal, que constitui a essência do Seu sofrimento, mas essa dor acompanhada de Angústia de alma e da consciência mediatária do pecado da humanidade que pesava sobre Ele.
Seus sofrimentos foram únicos: Além disso, mesmo estes sofrimentos comuns tinham um caráter extraordinário no caso dele, e, portanto, foram únicos, singulares. A Sua capacidade para o sofrimento era proporcional ao caráter da Sua humanidade, à Sua perfeição ética e ao Seu senso de justiça, santidade e verdade. Is 53.6, 10.
Seus sofrimentos nas tentações. As tentações de Cristo são parte integrante dos Seus sofrimentos. Essas tentações se acham na vereda do sofrimento, Mt 4.1-11 (e paralelas); Lc 22.28; Jo 12.27; Hb 4.15; 5.7,8.
MORTE DO SALVADOR.
a. A extensão da Sua morte. A morte física, isto é, a separação de corpo e alma. A Bíblia faz uma conceituação sintética da morte, e considera a morte física apenas como uma das suas manifestações. A morte é a separação de Deus, mas esta separação pode ser vista de duas maneiras diversas. A morte não é meramente a consequência natural do pecado, mas é, acima de tudo, a punição do pecado, punição judicialmente imposta e infligida. É a ação pela qual Deus se retira do homem com todas as bênçãos de vida e felicidade, e visita o homem com ira. É segundo este ponto de vista judicial que se deve considerar a morte de Cristo. Deus impôs judicialmente a sentença de morte ao Mediador, desde que Este se incumbiu voluntariamente de cumprir a pena do pecado da raça humana.
b. O caráter judicial de Sua morte. Era deveras essencial que Cristo não sofresse morte natural, nem acidental, e que não morresse pelas mãos de um assassino, mas sob sentença judicial. Ele tinha que ser contado com os transgressores e condenado como criminosos. Além disso, Deus dispôs providencialmente que o Mediador fosse julgado e sentenciado por um juiz romano. Os romanos tinham talento para a lei e a justiça, e representavam o poder judicial mais alto do mundo. Poder-se-ia esperar que o julgamento perante um juiz romano serviria para demonstrar claramente a inocência de Jesus, o que de fato aconteceu, para que ficasse absolutamente claro que Ele não foi condenado por nenhum crime cometido por Ele. Dt 21.23; Gl 3.13.
4. O SEPULTAMENTO DO SALVADOR. É evidente que o Seu sepultamento também fez parte de Sua humilhação. Note-se especialmente o seguinte: (a) Voltar o homem ao pó, do qual fora tomado, é descrito na escritura como parte da punição do pecado, Gn 3.19; (b) Diversas declarações da escritura implicam que a permanência do Salvador na sepultura foi uma humilhação, Sl 16.10; At 2.27, 31;13.34, 35. Foi uma descida ao hades, em si mesmo sombrio e lúgubre, lugar de corrupção, se bem que ele foi guardado da corrupção; (c) Ser sepultado é ir para baixo, e, portanto, uma humilhação. O sepultamento dos cadáveres foi ordenado por Deus para simbolizar a humilhação do pecador. Rm 6.1-6. Conseqüentemente, o sepultamento de Jesus também faz parte da Sua humilhação.

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