B. Prova Bíblica da Unipersonalidade de Cristo.
Sl 2.7; 40.7, 8; Jo 17.1, 4, 5, 21-24. Além disso, Jesus
nunca fez uso do plural ao referir-se a Si próprio, como Deus faz em Gn 1.26;
3.22; 11.7. Podia ser que Jo 3.11 fosse um caso desses.
2. AMBAS AS NATUREZAS SÃO REPRESENTADAS NA ESCRITURA COMO
UNIDAS
NUMA SÓ PESSOA. Há passagens da escritura que se referem às
duas naturezas de Cristo, mas nas quais é mais que evidente que só se tem em
mente uma pessoa, Rm 1.3,4; Gl 4.4, 5; Fp 2.6- 11. Em diversas passagens ambas
as naturezas são expostas como unidas. A Bíblia ensina que a pessoa divina do
Filho de Deus, estava unida a uma natureza humana, Jo 1.14; Rm 8.3; Gl 4.4;9.5;
1 Tm 3.16; Hb 2.11-14; 1 Jo 4.2, 3.
OS ESTADOS DE CRISTO
I. O Estado de Humilhação
A. Introdução: A Doutrina dos Estados de Cristo em Geral.
1. DISTINÇÃO ENTRE ESTADO E CONDIÇÃO. Em geral se pode
distinguir entre estado e condição como segue: Estado é uma posição ou
categoria ou “status” na vida, e particularmente a relação forense da pessoa
com a lei, enquanto que condição é o modo de existência da pessoa,
especialmente como determinado pelas circunstancias da vida. Quem é achado
culpado num tribunal de justiça acha-se num estado de culpa ou condenação, e a
isto geralmente se segue uma condição de encarceramento com toda a resultante
provação e vergonha. De fato, os diferentes estágios de humilhação e de exaltação,
como normalmente são expostos, têm a tendência de fazer com que as condições
sobressaiam mais proeminentemente que os estados.
3. NÚMERO DOS ESTADOS DO MEDIADOR. Mas, desde que só podemos
falar da humilhação e exaltação dapessoa de Cristo em relação a Ele como o Deus
homem, é melhor falar de dois estados somente.
Os dois estados estão claramente indicados em 2 Co 8.9; Gl
4.4,5; Fp 2.6-11; Hb 2.9.
B. O Estado de Humilhação.
Com base em Fp 2.7, 8, a teologia reformada (calvinista) distingue
dois elementos na humilhação de Cristo, a saber, (1) a kenósis (esvaziamento,
exinanitio), que consiste em renunciar Ele à Sua majestade do supremo
Governador do universo, e assumir a natureza humana na forma de um servo; e (2)
a tapeinosis (humiliatio), que consiste em haver-se Ele feito sujeito às exigências
e à maldição da lei, e em toda a Sua vida ter-se feito obediente em ações e em sofrimento,
até ao próprio limite de uma morte ignominiosa. Com base na referida passagem
de Filipenses, pode-se dizer que o elemento essencial e central do estado de
humilhação acha-se no fato de que Ele, que era o Senhor de toda a terra, o
supremo Legislador, colocou-se debaixo da lei para desincumbir-se das Suas
obrigações federais e penais a favor do Seu povo. Ao fazê-lo, Ele se tornou
legalmente responsável por nossos pecados e sujeitos à maldição da lei. Este
estado do Salvador, concisamente expresso nas palavras de Gl 4.4, “nascido sob
a lei”, reflete-se na condição que lhe é correspondente e que é descrita nos
vários estágios da humilhação. Enquanto a teologia luterana fala em nada menos
que oito estágios da humilhação de Cristo, a teologia reformada geralmente
enumera cinco, a saber: (1) encarnação; (2) sofrimento); (3) morte; (4) sepultamento;
e (5) descida ao hades.
1. A ENCARNAÇÃO E O NASCIMENTO DE CRISTO. Sob este título
geral, vários pontos
merecem atenção.
a. O sujeito da
encarnação. A segunda pessoa da Trindade que assumiu a natureza humana.
devemos lembrar que cada uma das pessoas divinas agiu na encarnação, Mt 1.20;
Lc 1.35; Jo 1.14; At 2.30; Rm 8.3; Gl 4.4; Fp 2.7. Jo 1.1. “eu desci do céu”,
Jo 6.38. “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico,
se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos”,
2 Co 8.9. Fp 2.6, 7. “Vindo, pois, a plenitude do tempo, Deus
enviou seu Filho”, Gl 4.4.
b. A necessidade da
encarnação. ensinam que a encarnação foi tornada necessária pela queda do
homem. Lc 19.10; Jo 3.16; Gl 4.4; 1 Jo 3.8; Fp 2.5-11. Não há senão um só plano
de Deus, e este plano inclui, desde o início último, o pecado do homem e a
encarnação do Verbo. Em última análise, como é natural, a encarnação, como
também toda a obra de redenção, dependia, não do pecado, mas do beneplácito de
Deus.
Ef 1.10, 20-23; Cl 1.14-20.
c. A mudança efetuada
na encarnação. Ele contraiu aquele caráter particular, que Ele adquiriu uma
forma adicional, sem de modo algum mudar a Sua natureza original. Ele continuou
sendo o infinito e imutável Filho de Deus. A palavra sarx (carne) aqui denota a
natureza humana, que consiste de corpo e alma. A palavra é empregada num
sentido um tanto similar em Rm 8.3; 1 Tm 3.16; 1 Jo 4.2; 2 Jo 7 (comp. Fp 2.7).
d. A encarnação fez de Cristo um membro da raça humana.
e. A encarnação efetuada por uma concepção sobrenatural.
f. A encarnação propriamente dita, uma parte da humilhação
de Cristo Rm 8.3; 2 Co 8.9; Fp 2.6, 7.
2. OS SOFRIMENTOS DO SALVADOR. Vários pontos devem ser
salientados com relação aos sofrimentos de Cristo.
a. Ele sofreu durante
toda a Sua vida. Em vista do fato de que Jesus começou a falar dos Seus
sofrimentos vindouros quando já se aproximava o fim da Sua vida, muitas vezes
somos inclinados a julgar que as Suas agonias finais constituem os Seus
sofrimentos completos. Contudo, toda a Sua vida foi uma vida de sofrimentos.
Foi uma vida de servo, a do Senhor
dos Exércitos, a vida do único ser
humano sem pecado, na diária companhia
de pecadores, e a vida do Santo num
mundo amaldiçoado pelo pecado. O caminho
da obediência foi para Ele, ao mesmo tempo, um caminho de sofrimento. Ele sofreu com as repetidas investidas de Satanás, com o ódio e a incredulidade do Seu povo, e com a perseguição dos Seus inimigos. Visto que Ele pisou sozinho o lagar,
a Sua solidão só tinha que ser
deprimente e o Seu senso de
responsabilidade, esmagador. Seu sofrimento foi um sofrimento consagrado, e
cada vez mais atroz, conforme o fim se aproximava. O sofrimento iniciado na encarnação,
chegou finalmente ao clímax na passio magna
(grande paixão) no fim da Sua vida. Foi quando pesou sobre Ele toda a ira
de Deus contra o pecado.
b. Sofreu no corpo e
na alma. Não foi uma simples dor física, como tal, que constitui a essência
do Seu sofrimento, mas essa dor acompanhada de Angústia de alma e da consciência
mediatária do pecado da humanidade que pesava sobre Ele.
Seus sofrimentos
foram únicos: Além disso, mesmo estes sofrimentos comuns tinham um caráter extraordinário
no caso dele, e, portanto, foram únicos, singulares. A Sua capacidade para o sofrimento
era proporcional ao caráter da Sua humanidade, à Sua perfeição ética e ao Seu
senso de justiça, santidade e verdade. Is 53.6, 10.
Seus sofrimentos nas
tentações. As tentações de Cristo são parte integrante dos Seus sofrimentos.
Essas tentações se acham na vereda do sofrimento, Mt 4.1-11 (e paralelas); Lc 22.28;
Jo 12.27; Hb 4.15; 5.7,8.
MORTE DO SALVADOR.
a. A extensão da Sua
morte. A morte física, isto é, a separação de corpo e alma. A Bíblia faz
uma conceituação sintética da morte, e considera a morte física apenas como uma
das suas manifestações. A morte é a separação de Deus, mas esta separação pode
ser vista de duas maneiras diversas. A morte não é meramente a consequência natural
do pecado, mas é, acima de tudo, a punição do pecado, punição judicialmente
imposta e infligida. É a ação pela qual Deus se retira do homem com todas as
bênçãos de vida e felicidade, e visita o homem com ira. É segundo este ponto de
vista judicial que se deve considerar a morte de Cristo. Deus impôs judicialmente a sentença de morte ao Mediador, desde que
Este se incumbiu voluntariamente de cumprir a pena do pecado da raça humana.
b. O caráter judicial
de Sua morte. Era deveras essencial que Cristo não sofresse morte natural,
nem acidental, e que não morresse pelas mãos de um assassino, mas sob sentença judicial.
Ele tinha que ser contado com os transgressores e condenado como criminosos.
Além disso, Deus dispôs providencialmente que o Mediador fosse julgado e
sentenciado por um juiz romano. Os romanos tinham talento para a lei e a
justiça, e representavam o poder judicial mais alto do mundo. Poder-se-ia
esperar que o julgamento perante um juiz romano serviria para demonstrar
claramente a inocência de Jesus, o que de fato aconteceu, para que ficasse absolutamente
claro que Ele não foi condenado por nenhum crime cometido por Ele. Dt 21.23; Gl
3.13.
4. O SEPULTAMENTO DO SALVADOR. É evidente que o Seu
sepultamento também fez parte de Sua humilhação. Note-se especialmente o
seguinte: (a) Voltar o homem ao pó, do qual fora tomado, é descrito na escritura
como parte da punição do pecado, Gn 3.19; (b) Diversas declarações da escritura
implicam que a permanência do Salvador na sepultura foi uma humilhação, Sl
16.10; At 2.27, 31;13.34, 35. Foi uma descida ao hades, em si mesmo sombrio e
lúgubre, lugar de corrupção, se bem que ele foi guardado da corrupção; (c) Ser
sepultado é ir para baixo, e, portanto, uma humilhação. O sepultamento dos
cadáveres foi ordenado por Deus para simbolizar a humilhação do pecador. Rm
6.1-6. Conseqüentemente, o sepultamento de Jesus também faz parte da Sua
humilhação.
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