II. O Estado de Exaltação
A. Notas Gerais Sobre o Estado de Exaltação
1. O SUJEITO E A NATUREZA DO ESTADO DE EXALTAÇÃO.
A teologia reformada, por outro lado, considera a
pessoa do mediador, isto é, o Deus e homem, como o sujeito
da exaltação, mas acentua o fato de que, naturalmente, foi na natureza humana
que se realizou a exaltação. Na exaltação o homem, Jesus Cristo, (a) retirou-se
de sob a lei em seus aspectos federais e penais, e, conseqüentemente, de sob o
fardo da lei como condição da aliança das obras, e de sob a maldição da lei;
(b) permutou a relação penal com a lei pela relação justa, e como Mediador
entrou na posse das bênçãos da salvação que Ele mereceu para os pecadores; e
(c) foi coroado com a correspondente honra e glória. Tinha
que aparecer também em Sua
condição que a maldição do pecado foi suspensa. Sua
exaltação foi também Sua glorificação.
2. A EXALTAÇÃO DE CRISTO, ESCRITURÍSTICA E RACIONAL. Há
abundantes provas escriturísticas da exaltação de Cristo. A narrativa dos
evangelhos nos mostra claramente que a humilhação de Cristo foi seguida por Sua
exaltação. A passagem clássica que prova a última acha-se em Fp 2.9-11: Mc
16.19; Lc 24.26; Jo 7.39; At 2.33; 5.31; Rm 8.17, 34; Ef 1.20; 4.10; 1 Tm 3.16;
Hb 1.3; 2.9; 10.12.
A exaltação de Cristo tem tríplice significação. fez jus à Sua
recompensa.
B. Os Estágios do Estado de Exaltação.
1. A RESSURREIÇÃO.
a. Natureza da ressurreição. A ressurreição de Cristo não constituiu
no mero fato de que Ele retornou à vida, dando-se a reunião do corpo e a alma.
Se isso fosse tudo que ela envolveu, Cristo não poderia ser chamado “as
primícias dos que dormem”, 1 Co 15.20, nem “o primogênito de entre os mortos”,
Cl 1.18; Ap 1.5, dando que outros foram devolvidos à vida antes dele. Sua ressurreição
consistiu, antes, em que nele a natureza humana, o corpo e a alma, foi
restaurada à sua prístina força e perfeição e até mesmo elevada a um nível
superior, enquanto que o corpo e a alma foram reunidos num organismo vivo. Da
analogia da mudança que, de acordo com a escritura, ocorre no corpo de cada
crente na ressurreição geral, podemos deduzir algo quanto à transformação que
deve ter-se dado com Cristo. Diz-nos Paulo em 1 Co 15.42-44 que os corpos futuros
dos crentes serão incorruptíveis, isto é, não terão possibilidade de sofrer
decadência; gloriosos,o que significa que esplenderão de fulgor celestial;
poderosos,isto é, cheios de energia e, talvez, de novas faculdades; e
espirituais, o que não significa imateriais ou etéreos, mas adaptados aos seus
respectivos espíritos, cada corpo sendo um perfeito instrumento do espírito.
Da narrativa dos evangelhos, aprendemos que o corpo de Jesus
passou por notável mudança, de modo que Ele não podia ser facilmente
reconhecido e podia aparecer e desaparecer de repente, de maneira
surpreendente, Lc 24.31; 36; Jo 20.13, 19; 21.7; mas era, não obstante, um
corpo material e muito real, Lc 24.39.
A ressurreição de Cristo tem significação tríplice: (1)
Constituiu uma declaração do pai de que o último inimigo tinha sido vencido, a
pena tinha sido cumprida, e tinha sido satisfeita a condição em que a vida fora
prometida; 2) Foi um símbolo daquilo que estava destinado a suceder aos membros
do corpo místico de Cristo em sua justificação, em seu nascimento espiritual e
em sua bendita ressurreição futura, Rm 6.4, 5, 9; 8.11; 1 Co 6.14; 15.20-22; 2
Co 4.10, 11, 14; Cl 2.12; 1 Ts 4.14; (3) relacionou-se também instrumentalmente
com a justificação, a regeneração e a ressurreição final dos crentes, Rm 4.25;
5.10; Ef 1.20; Fp 3.10; 1 Pe 1.3.
b. O autor da ressurreição. Cristo ressurgiu por Seu próprio
poder. Ele falou de Si mesmo como a ressurreição e a vida, Jo 11.25, declarou
que tinha o poder de entregar a Sua vida e de retoma-la, Jo 10.18, e até
predisse que reedificaria o templo do Seu corpo, Jo 2.19-21. Mas a ressurreição
não foi uma realização unicamente de Cristo; freqüentemente é atribuída, na
escritura, ao poder de Deus em geral, At 2.24; 32; 3.26; 5.30; 1 Co 6.14; Ef
1.20, ou mais particularmente, ao pai, Rm 6.4; Gl 1.1; 1 Pe 1.3.E se a
ressurreição pode ser chamada obra de Deus, segue-se que o Espírito Santo
também agiu nela em Rm 8.11 isso também está implícito.
c. Objeções à doutrina da ressurreição. Uma grande objeção à
doutrina da ressurreição física de Cristo é que após a morte o corpo se
desintegra, e as várias partículas das quais se compõe entram na composição
doutros corpos – vegetais, animais e humanos.
Ora, admitimos que a ressurreição desafia a sua explicação.
É um milagre. Mas, ao mesmo tempo, devemos ter em mente que a identidade de um corpo
ressurreto com o corpo que descera à tumba não exige que ambos sejam compostos exatamente
das mesmas partículas. 1 Co 15.35-38 parece
d. Tentativas de explicar o fato da ressurreição, negando-a
Eis algumas das mais
importantes tentativas:
(1) Teoria da falsidade. Pretende que os discípulos
praticaram fraude deliberada, roubando o corpo do túmulo e depois declarando
que o Senhor ressuscitara. É claro que esta teoria impugna a veracidade das
primeiras testemunhas – os apóstolos, as mulheres, os quinhentos irmãos, e
outros. Mas é extremamente improvável que os desanimados discípulos tivesses a
coragem de impingir tal falsidade ao mundo hostil. É impossível acreditar que
tivessem perseverando em meio aos sofrimentos, com uma crua falsidade como
essa.
(2) A teoria do desmaio. Segundo essa teoria, Jesus não
morreu de fato, mas apenas desfaleceu, conquanto se pensasse que Ele estava
realmente morto. Como se pode explicar que tanta gente se enganou, e que o
golpe da lança não matou Jesus? Como é que Jesus, em Seu estado de exaustão,
pôde fazer rolar a pedra que tapava o túmulo e depois ir de Jerusalém a Emaús e
voltar? Como se explica que os discípulos não O trataram como uma pessoa
doente, mas viram nele o poderoso Príncipe da vida? E o que foi feito de Jesus
depois disso?
(3) Teoria da visão. Esta se apresenta em duas formas: (a)
Alguns falam de visões puramente subjetivas. Na excitação do seu estado mental,
os discípulos se fixavam tanto no Salvador e na possibilidade do Seu retorno a
eles, que por fim pensaram realmente que O viram. A faísca foi lançada pela
temperamental e excitável Maria Madalena, e logo a chama se acendeu e se
espalhou. Como poderiam surgir essas visões, se os discípulos não esperavam a
ressurreição? Como podiam aparecer, quando os discípulos estavam empenhados em
suas ocupações comuns, e não estavam entregues à oração ou à mediação? Seria
possível o rapto ou êxtase requerido para a produção de visões subjetivas ter
começado logo no terceiro dia? Em tais visões, os discípulos não teriam visto
Jesus circundando por um halo de glória celestial, ou então exatamente como O
tinham conhecido, e desejoso de reatar o companheirismo com eles? Como explicar
as conversas visionárias? (b) Em vista da extrema fraqueza dessa teoria, alguns
eruditos apresentaram uma versão diferente dela. Alegam que os discípulos
tiveram visões objetivas reais, miraculosamente enviadas por Deus, para
persuadi-los a ir avante com a pregação do Evangelho. Essa teoria nos pede que
acreditemos que estas visões enviadas por Deus foram tais, que enganaram os
apóstolos. Será que Deus procura realizar os Seus fins por meio de ilusões?
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